Diretor da Fotobolo explica como chegou a excelência com os corantes comestíveis | Fotobolo

Diretor da Fotobolo explica como chegou a excelência com os corantes comestíveis

Publicado: 05/06/2019

Gert Jr. conta como foi a jornada até conseguir atingir a excelência dos melhores corantes para impressão comestível do mercado. Descubra o segredo!

Quando eu tinha 13 anos, e isso já tem um tempinho, eu comecei a perceber o quanto pequenas decisões impactam completamente nossas vidas.

A Fotobolo tinha acabado de nascer. Na sala de casa, literalmente, tínhamos maquininhas lentas que com poucas impressões acabavam os cartuchos. Eu ajudava meus pais recarregando os cartuchinhos. Não precisava nem de agulha. Era só virar de cabeça pra baixo e ir deixando a esponja absorver. A gente usava anilina, e com isso, a perda de cartuchos e cabeçotes era muito alta.



Eu lembro quando vi pela primeira vez um frasco com um litro de anilina. Estava acostumado a ver minha mãe usando frasquinhos pra confeitar bolo e quando chegou um frasco grande achei tão diferente, não imaginava que existisse. Mas era só a embalagem que mudava. Na prática, pouco tempo depois de carregar o cartucho, a anilina ia secando e o pó saindo, formando uma borra na esponja do cartucho. Era tanto pó que parecia uma craca ou ferrugem grande num ferro a beira do mar.

Aquilo era terrível. Entupia as cabeças de impressão, dava borrões. Tinha que parar e limpar as máquinas toda hora. A gente comprava mais computadores, mais impressoras e a produção não crescia. Era um trabalho artesanal demais e o resultado limitado por causa da anilina comum.

A tinta hoje não representa nem 3% do custo de uma folha impressa. Mas naquela época, mesmo sendo barata, fazia com todos os outros custos disparassem e nossa produção fosse lenta.

A Fotobolo sempre foi exigente com qualidade e não deixávamos passar uma imagem riscada ou borrada. Na sala de conferência tinha uma caixa enorme de refugo, com imagens que não eram boas o bastante pra ir pros clientes.

Mas uma coisa aconteceu mais ou menos no ano 2000. Meus pais, que dirigiam a empresa, tomaram uma decisão. Eles tinham certeza que queriam ser excelentes e sabiam que com aquela forma de imprimir não era possível continuar e crescer. Queriam mudar pra ser melhores.

Juntaram-se com um antigo fabricante de anilinas para juntos desenvolverem um corante realmente próprio pra impressão. A quantidade de testes foi enorme. Quase toda semana chegava um lote novo pra ser usado.

Testaram vários tipos de matéria prima, filtragem e diferentes soluções pra dissolver os corantes. Semana após semana. E às vezes o novo teste vinha muito pior que a última versão.

Foram meses de expectativa, até que os resultados fossem suficientes pra produção aumentar e não termos mais as perdas com entupimentos.


Finalmente as máquinas imprimiam melhor e as cores estavam bem mais vivas. Os pedidos eram entregues em dia e antigos clientes elogiavam as melhorias.

Sabe o que aconteceu depois? Tudo de novo.

Agora queríamos que a impressão no papel de arroz ficasse mais parecida com as das tintas originais. A qualidade podia ser ainda maior se houvesse fidelidade entre a impressão comestível e o painel, convite e lembrancinhas da festa. Queríamos que a diferença do nosso papel de arroz pra qualquer outro fosse gritante. As confeiteiras tinham que receber o melhor através de nós.

Queríamos nossos corantes no padrão CMYK e na tonalidade igual a da tinta original. Por exemplo, eu imprimo um escudo rubro negro. A impressora precisa misturar as cores Magenta e Amarelo, para chegar no tom de vermelho. Se no cartucho você, ao invés de magenta, usa um corante que já é vermelho, a impressora não sabe! E na mesma proporção vai misturá-los com o amarelo. O resultado no papel vai ser um escudo alaranjado. E isso é bem ruim!

Novamente a cada semana um novo lote foi testado.

Pegávamos um cartucho zerado, sem nenhuma tinta, abastecíamos com a amostra nova e imprimíamos um quadrado. Trocávamos o cartucho por um original da impressora e na mesma folha, ao lado imprimíamos o mesmo quadrado pra comparar. A mesma imagem do quadrado, no mesmo papel, com a mesma impressora. Só mudava o cartucho.

Na amostra seguinte vinham os ajustes:  mais claro, mais escuro ou o que precisássemos mudar.

Sim! Conseguimos um corante que fosse excelente. Sem entupimentos, com cores vivas e agora o papel de arroz tinha as tonalidades iguais as do personagem original. J

De lá pra cá, a cada três ou quatro anos, surge alguma mudança severa na tecnologia de impressão e a fórmula do corante precisa ser adequada. Assim vamos mantendo a excelência prometida. Ser excelente exigiu (e ainda exige) que a gente se esforce, teste e mude o tempo inteiro. Mas isso vale muito a pena. Ser o melhor é duro, mas é muito bom.


Porque estou te contando essa história?

Porque pra mim só existem dois lugares onde um negócio pode existir: ou você é preço baixo, ou você é excelente.

Qualquer coisa diferente disso é estar indo à falência. Preste atenção nisso. Não importa se você tem 3 mil funcionários, ou se sua empresa é você e seu irmão. Ou você é o mais barato, ou é o melhor (ou está condenado).

Pra ser mais barato sua operação tem que ser muito enxuta, com custos tão baixos que isso vire um diferencial competitivo e seu concorrente simplesmente não consiga te copiar. E as pessoas vão comprar não porque gostem, mas porque é barato. Essa economia exige que você seja num gigante no segmento e faça economia de escala.

E se for o melhor? Se você faz bem feito e entrega o melhor pro seu cliente; Se você cuida dos pequenos detalhes para que ele tenha total satisfação; Se você vai além e consegue surpreende-lo; Você está fazendo mais que vender um produto, você está proporcionando uma experiência prazerosa para o cliente. Ele vai perceber muitas vantagens em comprar contigo. Vai dar valor. E estará disposto a pagar um pouco a mais pra receber aquilo que só você pode entregar. É assim que funciona, pense nas melhores marcas, nos melhores restaurantes, nos melhores hotéis. As pessoas pagam um pouco mais porque eles são diferentes dos outros. Eles buscam ser excelentes.

Mas ser excelente exige dedicação. Exige superação. Exige mudança e rapidez.

Acredito que devemos estar sempre dispostos a reinventar um jeito melhor de fazermos aquilo em que já somos bons. A busca pelo melhor ingrediente, pela melhor matéria prima, pelo melhor maquinário ou mesmo pra agilizar um processo tem que ser diária. É como fazer a barba ou tomar banho.

Aristóteles dizia que a excelência é um hábito.  Se você quer ser bom, esteja disposto todo dia a aprender algo novo sobre o seu próprio negócio.

Questione.

Teste.

Faça algo de um novo jeito.

Some um benefício ao seu produto.

Mire na perfeição.

Surpreenda seu cliente.

Exceda o padrão de qualidade de seu cliente e torne-o apaixonado por sua marca.

Sucesso!

 

Gert Junior – Diretor da Fotobolo

 

 

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